Em artigo, presidente do Clube dos Oficiais saúda a todos os policiais neste Dia do Soldado, mas afirma que militares capixabas não têm o que comemorar

Em artigo publicado na edição desta sexta-feira (25/08) no jornal A Gazeta, o presidente da Associação dos Oficiais Militares Estaduais do Espírito Santo (Assomes/Clube dos Oficiais), tenente-coronel Rogério Fernandes Lima, faz uma abordagem crítica ao Dia do Soldado.

A crítica, segundo ele, se faz necessária porque os militares estaduais capixabas “não têm o que comemorar” diante da inércia do governo do Estado em insistir na falta de diálogo com a categoria que, em fevereiro deste ano, fez aquartelamento em protesto aos baixos salários.

“A sociedade sabe que as coisas não andam normais e que os policiais militares precisam de atenção, que o diálogo é necessário. Os índices de violência e criminalidade dispararam e a sensação de insegurança aumentou. É preciso ouvir o que os policiais militares têm a dizer...Não é possível falar em reestruturação da corporação sem acatar nenhuma das propostas dos policiais militares. Não foram aceitas sequer as propostas que não geravam repercussão financeira. Isso não é reestruturação é revanche”, afirma o tenente-coronel Rogério.

Dia do soldado, nada a comemorar

Neste dia 25 de agosto, comemora-se o Dia do Soldado, data destinada a homenagear aqueles que optaram por servir e defender a sociedade, mesmo com o sacrifício da própria vida.

Em seu ofício de defender a sociedade capixaba, nossos policiais militares enfrentam várias situações, que vão das mais simples às mais complexas. Ele precisa tomar uma decisão rápida, que pode ser reprimir o infrator ou trazer à vida uma criança dentro de uma viatura. Eles não estão em salas climatizadas, tampouco podem pedir prazo para a revisão da sua decisão. Devem decidir naquele exato momento, muitas vezes sem as condições ideais para realizar a missão. Muitas vezes têm equipamentos inferiores aos dos infratores, ou sem equipamentos, pois faltam coletes, viaturas, combustível e assistência médica e psicológica.

Muitos que conheço têm se perguntado o que aconteceu para eclodir o movimento de fevereiro. As pessoas conhecem os policiais militares e sabem que a ruptura que ocorreu naquele mês foi por fatores muito graves. Sabem também que não houve vencedores e que faltou diálogo por parte de quem poderia melhorar as condições dos policiais militares.

A sociedade sabe que as coisas não andam normais e que os policiais militares precisam de atenção, que o diálogo é necessário. Os índices de violência e criminalidade dispararam e a sensação de insegurança aumentou. É preciso ouvir o que os policiais militares têm a dizer. É preciso ceder em alguns pontos, todo bom negociador sabe disso.

Não é possível falar em reestruturação da corporação sem acatar nenhuma das propostas dos policiais militares. Não foram aceitas sequer as propostas que não geravam repercussão financeira. Isso não é reestruturação é revanche.

A Associação dos Oficiais propôs, por exemplo, a mudança do critério de ingresso no Curso de Formação de Oficiais, saindo do ensino médio e passando para o bacharelado em Direito, o que diminuiria os custos com a formação e traria um profissional mais maduro e com mais tempo de banco escolar.

Propomos também a implantação do Termo Circunstanciado de Ocorrência que atende ao preconizado na Lei 9.099/1995, onde o policial militar lavra uma ocorrência circunstanciada no local para os crimes de pequeno potencial ofensivo, o que manteria a viatura por mais tempo no local de patrulhamento. Porém, nenhuma dessas propostas, que não geram gastos para o Estado, foi atendida e sequer houve resposta.

Ante à falta de diálogo e a intransigência não há o que se comemorar neste dia 25 de agosto, mas mesmo assim, feliz Dia do Soldado.

(Tenente-coronel Rogério Fernandes Lima
Presidente da Assomes/Clube dos Oficiais)

 

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