AO SER PRESA NO PARANÁ, CLEMILDA DE JESUS DISSE TER VIRADO TRAFICANTE PARA PAGAR DÍVIDAS DO FILHO AMEAÇADO POR BANDIDOS: Mãe de menina desaparecida no Espírito Santo já foi condenada a cinco anos e seis meses por tráfico de drogas

Uma das linhas de investigação da Polícia Civil para esclarecer o sumiço da estudante Thayná Andressa de Jesus Prado, 12 anos, é uma suposta vingança praticada pelo criminoso contra a mãe da menina, Clemilda Aparecida  de Jesus, 39 anos. Os investigadores que atuam no caso já levantaram a ficha pregressa de Clemilda e descobriram que ela possui quatro condenações na Justiça, sendo uma por tráfico de drogas. Ao ser presa em 2007, Clemilda alegou ter virado traficante para pagar dívida de um filho viciado.

A Polícia Civil também encontrou fotos de Clemilda e do companheiro dela, que se identifica nas redes sociais como Julin Saudoso MoraImor, fazendo apologia ao uso de maconha. A polícia descobriu ainda que o casal residia em Flexal, Cariacica, junto com a filha Thayná. No entanto, teria sido expulso de lá por traficantes e acabou indo morar no bairro Universal, em Viana, onde amenina Thayná foi vista pela última vez no dia 17 de outubro deste ano,  entrando no carro de um homem  identificado como Ademir Lúcio Ferreira de Araújo, 52 anos.

Este Ademir também tem ligação com tráfico de drogas e várias passagens pela polícia e saiu da cadeia em dezembro do ano passado, depois de cumprir pena por homicídio. Ele é acusado de estuprar uma criança de 11 anos três dias antes do sequestro de Thayná.

Uma das condenações de Clemilda Aparecida de Jesus é referente à Execução Penal número 0004779-11.2011.8.08.0035, que tramitou na Comarca de Campina Grande do Sul, no Estado do Paraná. Ela foi presa pela Polícia Rodoviária Federal no dia 22 de abril de 2007. Em 4 de setembro do mesmo ano, a Justiça acolheu a denúncia e em 5 de novembro de 2017 foi condenada a cinco anos e seis meses de prisão com base no artigo 33, caput, da Lei 11.343/2006. Clemilda cumpriu a pena.

No dia 23 de abril de 2007, o Portal de Notícias Tribuna do Paraná informou sobre a prisão de Clemilda. Disse que ela fora detida às 10 horas do dia anterior, transportando cerca de 37 quilos de maconha em um ônibus da Viação Itapemirim. O veículo foi vistoriado durante fiscalização de rotina, no Posto Taquari, no quilômetro 56 da BR-116, em Campina Grande do Sul.

A droga estava dividida em 31 tabletes, dentro de uma mala, no bagageiro do ônibus e, de acordo com Clemilda, seria levada de Curitiba até Vitória até Vitória. De acordo com o Tribuna do Paraná, Clemilda alegou que apenas transportava a droga  teria feito a viagem em função de ameaças que vinha sofrendo.

“Meu filho é usuário de drogas e estava devendo para traficantes que o ameaçaram de morte. Levando o material, eu pagaria a dívida e eles ainda me dariam R$ 750,00 para eu pagar uma operação para minha filha”, teria dito Clemilda.

Na ocasião, a PRF informou que os veículos são abordados aleatoriamente e que não havia informações sobre a presença de entorpecentes neste ônibus. Após encontrar a droga na mala, Clemilda acabou sendo flagrada.

Clemilda Aparecida de Jesus também foi condenada nos autos do processo nº 0004779-11.2011.8.08.0035, que tramitou em segredo de Justiça na 3ª Vara da Família. Respondeu ainda ao processo nº 0809351-83.2006.8.08.0024, na 4ª Vara Criminal de Vitória, pela acusação de tráfico de drogas.

Um dos andamentos desta última ação penal diz que “a acusada CLEMILDA APARECIDA DE JESUS, nascida em 12/12/1978, natural de Belo Horizonte (MG), filha de José Onório da Silva e Maria Tereza de Jesus, foi denunciada no artigo 16, da Lei 6368/76 (antiga de Lei de Tóxicos), em 05/12/2006, com base no Termo Circunstanciado nº 054/06, do DPJ (de Vitória), cuja ocorrência foi lavrada em 21 de janeiro de 2006. Certifica ainda, que foi declarada extinta a punibilidade da acusada, com fundamento nos Arts. 30, da Lei 11.343/06 e 107, IV, do CP, em sentença datada de 16/11/2009. O trânsito em julgado ocorreu em 07/12/2009 para o Ministério Público e, em 14/12/2009, para a ré Clemilda.”

Clemilda vive maritalmente com um homem que se identifica no Facebook como Julin Saudoso MoraImor. Um dos passatempos do homem é postar fotos nas redes sociais com mensagem que fazem apologia ao uso de drogas. Posta fotos, inclusive, ao lado aa própria Clemilda.

Julin Saudoso MoraImor (à direita na foto) também faz comentários em cima de postagens de amigos, como a que fez no dia 1º deste mês de novembro, 15 dias após o sumiço da enteada da Thayná. Um amigo dele identificado como Carli Junior postou a foto de plantação de maconha dentro de um vaso. Julin “curtiu” a postagem e comentou: “Tá crescendo”.

Em outra postagem, Julin e Clemilda aparecem numa praia com trajes de banho e segurando latinhas de cerveja. Julin escreve: “Sol, praia e maconha”.

Nesta segunda-feira (06/11), a mãe de Thayná, Clemilda Aparecida de Jesus, e um grupo de amigos fizeram  um protesto em frente ao Palácio Anchieta, no centro de Vitória. Acompanhada de familiares e amigos, Clemilda fez um apelo para que a polícia encontre a filha dela. Depois de um ato nas escadarias do Palácio, os  manifestantes bloquearam avenida Getúlio Vargas.

A Polícia Civil descartou que a menina Thayná tenha sido vítima de um sequestro convencional. Para os investigadores, trata de um sumiço que pode culminar em morte. Tanto que quem está à frente do caso é o delegado José Lopes, chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Se fosse um sequestro, o caso estaria com a Delegacia Anti-Sequestro (DAS), que apenas vem dando apoio quando solicitada. O homem que levou Thayná seria, inclusive, conhecido família da menina.

A Polícia Civil vem trabalhando com todo afinco para esclarecer o sumiço de Thayná o mais breve possível. O secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, André Garcia, e todo o primeiro escalão do governo não têm medido esforços para dar uma resposta célere à família e à sociedade. Nesta segunda-feira (06/11), inclusive, o governo do Estado chegou a discutir todos os aspectos da investigação e ficou estabelecido que a prioridade, independente do passado da mãe, é encontrar a menina, que é a verdade vítima da situação.


 

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