Diretor-adjunto da Diretoria de Direitos Humanos e Polícia Comunitária da PM é indiciado pela acusação de ameaçar ex-corregedor-geral e promotora de Justiça

O diretor adjunto da Diretoria de Direitos Humanos e Polícia Comunitária da Polícia Militar do Espírito Santo, tenente-coronel Alex Volney de Almeida, acaba de ser indiciado em um Inquérito Policial Militar (IPM) pela acusação de ameaçar o ex-corregedor geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel RR Ilton Borges Correia, e a promotora de justiça Karla Dias Sandoval Mattos Silva, da Promotoria de Justiça Junto à Auditoria Militar. O tenente-coronel Alex deverá ser denunciado pelo Ministério Público Militar Estadual a qualquer momento.

O encarregado do IPM, coronel Arilson Marcelo Martinelli, concluiu as investigações entendendo haver indícios de “Crime Militar e de Transgressão Disciplinar” na conduta do tenente-coronel Alex, “por ter proferido palavras de ameaça” ao coronel Ilton Borges e à promotora de Justiça Karla Sandoval.

Ele também foi indiciado pela prática da Transgressão Disciplinar por ter feito comentários pessoais sobre atos de serviço, “criticando oficiais superiores, para subordinados, permitindo que os subordinados também o fizessem”.

No mesmo IPM, foram indiciados, por Transgressão Disciplinar, o capitão Roberto Rodrigues Batista Júnior, “por ter demonstrado desrespeito a superior hierárquico perante subordinado”, e o cabo Vagner Ventura, “por dirigir-se a superior hierárquico de forma inadequada e por ter feito comentários e críticas de superior hierárquico”. O capitão e o cabo são lotados no 12º Batalhão da PM (Linhares).

As investigações contra o tenente-coronel Alex, que tramitaram em segredo de Justiça, dão conta de que a Corregedoria Geral da PM descobriu, por meio de escuta telefônica autorizada por ordem judicial, que ele proferiu palavras ameaçadoras ao coronel Ilton Borges e à promotora de Justiça Karla Sandoval.

O tenente-coronel Alex é alvo de outras duas ações na Justiça: uma por Improbidade Administrativa, que tramita na Vara da Fazenda Pública Estadual de Aracruz, sob o número 0004588-48.2014.8.08.0006, em que ele é acusado de enriquecimento ilícito – teria se beneficiado de combustível na época em que comandava o 5º Batalhão (Aracruz); e o processo número 0014500-20.2011.8.08.0024, tramitando na Vara da Auditoria da Justiça Militar.

Alvo de ameaças, coronel Ilton Borges é homenageado pelo Comando-Geral da PM

No dia 17 deste mês, o ex-corregedor da PM, coronel Ilton Borges, se despediu da corporação. Ele, que já havia ido para a Reserva Remunerada no final de 2016, aceitou o convite para retornar à ativa em fevereiro deste ano, quando estourou a crise na PMES devido ao aquartelamento dos policiais. Quando foi para a Reserva, Ilton Borges era o subcomandante-geral da Polícia Militar.

Na despedida, Ilton Borges foi homenageado pelo comandante-geral, coronel Nylton Rodrigues Ribeiro Filho. O oficial passou para a inatividade após 32 anos de serviço ativo. Durante a reunião, foi proferido um elogio individual ao coronel Ilton Borges, destacando o perfil profissional do militar.

“Delineado por características que, ao longo de sua destacada carreira, mantiveram-se coerentemente inalteradas. É esse profissional que se despede hoje da Polícia Militar do Espírito Santo, onde cultivou uma marca indelével, calcada pelo profissionalismo e pela marcante personalidade”, destaca a publicação.

Em seu discurso, o coronel Ilton Borges agradeceu a homenagem recebida com saudosismo: ”Tenho uma forte ligação com a Instituição, por isso aceito o destino e me coloco à disposição para continuar ajudando da melhor forma possível”, disse.

O coronel Nylton expressou a gratidão institucional aos serviços prestados pelo oficial da reserva: “Nos momentos de dificuldade é que reconhecemos grandes pessoas. Este homem sempre demonstrou ser corajoso, forte e leal e por isso merece nossa admiração e respeito”, concluiu.

O coronel Ilton Borges teve de sair de vez da Corregedoria por culpa de uma emenda apresentada pelo presidente da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa, deputado Gilsinho Lopes, ao Projeto de Lei Complementar 30/2017 de autoria do Governo do Estado. A emenda de Gilsinho Lopes (que o governador Paulo Hartung sancionou)  suprimiu do PLC a possibilidade de que os praças e oficiais pudessem prestar serviço nas áreas de Inteligência Policial e de Polícia Judiciária, como era o caso do coronel RR Ilton Borges.

(Com informações também do Portal da PMES)

 

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