Presidente do Clube dos Oficiais volta a defender a retomada do diálogo e a inclusão da sociedade capixaba nos debates pela melhoria da segurança pública

O presidente da Associação dos Oficiais Militares Estaduais do Espírito Santo, tenente-coronel Rogério Fernandes Lima, escreveu artigo para o Blog do Elimar Côrtes em que aborda o crescimento da violência no Espírito Santo e no Brasil e o que espera da segurança pública no próximo ano que se avizinha. Para o líder de classe dos Oficiais, o mais importante, para superar as dificuldades, é a retomada do diálogo.

“Na retrospectiva de 2017, observa-se que os números não foram bons na área de segurança pública, os índices de violência e de criminalidade aumentaram, os crimes contra a vida dispararam, e também, os crimes contra o patrimônio”, diz o tenente-coronel Rogério, que, no entanto, faz uma observação para aqueles que culpam o movimento de aquartelamento feito pelos policiais militares capixabas, em fevereiro, como responsável pelo estouro da crise na segurança pública:

“Culpar o movimento de fevereiro é uma análise muito superficial, pois seria o mesmo que dizer que a Primeira Guerra Mundial só ocorreu porque houve o atentado e a morte do Duque Ferdinando, quando sabemos que a guerra ocorreu por outra infinidade de fatores que antecederam o atentado, e aqui também se pode dizer o mesmo”.

O tenente-coronel Rogério frisa que é preciso virar a página, salientando que “nesta nova página da segurança pública é preciso escrever e grifar a palavra diálogo, que será imprescindível com os atores da segurança pública e com os seus representantes, bem como é fundamental incluir a sociedade capixaba nesse debate. É preciso sentar a mesa e conversar, com um diálogo franco, pois este é o melhor caminho, já que o uso da ‘força’ não traz a solução pretendida”.

Abaixo, a íntegra do artigo do tenente-coronel Rogério Fernandes Lima

2018, um ano de esperança

Ao chegarmos ao final de mais um ano é o momento de fazer um balanço para analisar as metas e os objetivos alcançados, onde acertamos ou erramos, e planejar o próximo ano a partir daquele que passou.

Na retrospectiva de 2017, observa-se que os números não foram bons na área de segurança pública, os índices de violência e de criminalidade aumentaram, os crimes contra a vida (bem jurídico mais importante do cidadão) dispararam, e também, os crimes contra o patrimônio. O aumento do sentimento insegurança é geral, não tá normal.

Nesta análise não teremos como pular o mês de fevereiro e os seus desdobramentos, já que o ocorrido marcou não só o Espírito Santo, mas todo o País. Entretanto, culpar o movimento de fevereiro é uma análise muito superficial, pois seria o mesmo que dizer que a Primeira Guerra Mundial só ocorreu porque houve o atentado e a morte do Duque Ferdinando, quando sabemos que a guerra ocorreu por outra infinidade de fatores que antecederam o atentado, e aqui também se pode dizer o mesmo.

Mas não adianta ficar com o samba de uma nota só, é preciso virar a página, guardando as lições deixadas para todos e seguir em frente. Não faz bem a ninguém ficar remoendo o passado, pois haverá muito o que fazer para retomarmos o caminho que a segurança pública trilhava, porque até aquele mês houve uma representativa queda no número de homicídios no Espírito Santo.

Nesta nova página da segurança pública é preciso escrever e grifar a palavra diálogo, que será imprescindível com os atores da segurança pública e com os seus representantes, bem como é fundamental incluir a sociedade capixaba nesse debate. É preciso sentar a mesa e conversar, com um diálogo franco, pois este é o melhor caminho, já que o uso da “força” não traz a solução pretendida.

Temos que debater francamente a violência doméstica e familiar contra a mulher, não se pode descuidar das crianças e dos adolescentes vítimas de tantas violências e que ainda estão fora das escolas, dos grupos LGBT e principalmente dos negros, a maioria de nossas vítimas.

Não é admissível ostentarmos índices de violência elevados contra esses segmentos como os que os institutos de pesquisas têm mostrado. E reitero que isso não mudará somente com o uso do aparelho repressivo estatal, é preciso, antes de tudo, diálogo.

O ano que se encerra foi um ano em que nos foram apresentados cenários muito ruins na gestão da coisa pública e na política, como as dancinhas e os deboches  com o povo brasileiro, milhões de reais em caixas e malas, frutos dos desvios de recursos públicos; projetos de lei que são aprovados sem qualquer debate com os profissionais envolvidos, com a sociedade capixaba ou com os seus representantes, reestruturações e reformas de ocasião entre tantas outras questões que poderiam ser listadas, ações que parecem modernas, mas que na verdade guardam o mofo da prática da velha política que o nosso povo já está cansado.

O ano que se aproxima será o momento de reflexão para a sociedade capixaba escolher o futuro que quer para a saúde, a educação e a segurança pública, funções primordiais da prestação de serviço público do Estado;  e as opções políticas pessoais não podem se sobrepor aos interesses de toda a coletividade. É preciso ficar atento aos velhos estratagemas e aos que se intitulam salvadores da pátria.

Por isso, que em 2018 possamos ter um ano com as esperanças renovadas, onde os corações e as mentes estejam voltados para o bem comum das pessoas. Que possamos retomar, para o Espírito Santo, um caminho melhor para todos os capixabas, garantindo mais segurança e tranquilidade, e com diálogo.

Feliz Ano Novo a todos os capixabas.

 

Blog do Elimar Côrtes Copyright © 2011 -- Template created by O Pregador -- Powered by Blogger