quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

OBJETIVO É O COMBATE AO CÂMBIO ILEGAL DE MOEDAS ESTRANGEIRAS: Federal prende escrivão aposentado da Polícia Civil e faz operação dentro de Batalhão da PM no Espírito Santo

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira (08/02) o escrivão de Polícia Civil aposentado Jefferson Forattini Peixoto de Lima, dentro da Operação Paralelo, desencadeada com o objetivo de combater o câmbio ilegal de moedas estrangeiras no Espírito Santo. Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Vitória, Vila Velha, Serra e Nova Venécia. Além de Jefferson, foram presos mais dois homens: seu filho, Thiago Avanza Peixoto de Lima, e  Luís Carlos de Souza e Mello.

Ao mesmo tempo, os federais estenderam a operação para dentro do Quartel do 2º Batalhão da Polícia Militar  (Nova Venécia), Região Noroeste do Estado, onde foram a procura da doleira Darlene Muzy Savergnini. Diferente do que o Blog do Elimar Côrtes informou anteriormente, a moça não reside dentro do quartel. Lá reside o seu padrasto, o subcomandante do 2º BPM, major Jefson Coelho Correia.Charlene está foragida. A operação em todo o Estado contou com a participação de 76 policiais federais, entre delegados, agentes e peritos.

Conforme o Blog do Elimar Côrtes informou com exclusividade em 20 de setembro de 2017, o escrivão Jefferson Forattini é réu em uma ação penal na Justiça Federal pelas acusações de cometer crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. Depois de uma investigação sigilosa, Jefferson foi denunciado pela Procuradoria Regional da República no Estado pela acusação de desviar mais de R$ 11 milhões.

De acordo com a Assessoria de Comunicação da Superintendência Regional da Polícia Federal no Espírito Santo, as  investigações relativas à Operação Paralelo foram iniciadas com o recebimento de notícia-crime indicando a atuação de uma agência de turismo de Vila Velha no mercado de compra e venda de moeda estrangeira, sem a autorização necessária do Banco Central.

Com o avanço das investigações foi possível identificar que o fornecedor de moeda estrangeira da agência de turismo era o proprietário de uma correspondente em operações de câmbio localizada em Vitória.

A Assessoria da PF não revelou nomes das pessoas presas, mas o Blog do Elimar Côrtes descobriu, junto a fontes da própria PF, do Ministério Público Federal e da Corregedoria Geral da Polícia Civil, que um deles é Jefferson Forattini. Estima-se que, apenas em 2016, a agência de turismo recebeu cerca de R$ 9 milhões de clientes interessados em comprar dólares e euros.

Apesar de possuir autorização do Banco Central para operar na compra e venda de moeda estrangeira, a casa de câmbio fornecia dólares e euros para a agência de turismo de forma ilegal, no mercado paralelo ou utilizando-se de dados falsos para registrar as operações. Ainda segundo a Polícia Federal, outra irregularidade observada era o fracionamento de operações de câmbio com o objetivo de burlar o limite para venda de moeda estrangeira sem necessidade de comprovação de renda.

Mais uma correspondente em operações de câmbio com autorização de funcionamento do Banco Central foi identificada atuando na compra e venda de moeda em espécie no mercado paralelo, sem registro das transações no Banco Central, bem como promovendo transferências internacionais por meio de operações de dólar-cabo.

Foram identificadas ainda outras duas empresas que atuavam de forma clandestina no mercado de moeda estrangeira, sem autorização do Banco Central. No caso dessas empresas, todas as operações de câmbio eram ilegais.

Durante as investigações foram apreendidos aproximadamente 200 mil dólares negociados no mercado paralelo, que estavam sendo transportados sem documentação comprovando a origem do dinheiro.

Operação policial dentro do Quartel da PM: enteada de subcomandante foge dos federais

Em Nova Venécia, os federais cumpriram mandado de busca e apreensão pela PF na residência do subcomandante do 2º BPM, major Jefson Coelho Correia, que fica localizada dentro da sede do Batalhão. A busca foi acompanhada pelo corregedor-geral da Polícia Militar, coronel Reinaldo Brezinski Nunes.

O foco da ação da Polícia Federal foi em relação à empresa Muzzy Turismo, um dos alvos da Operação Paralelo e que é gerenciada por Charlene Muzzy. O mandado de busca e apreensão foi feita dentro da casa do subcomandante do 2º BPMP porque o major Jefson Correia é padrasto de Charlene, de acordo com a própria Polícia Militar.

Charlene não foi encontrada pelos federais, que, no entanto, recolheram diversos materiais dentro da casa do subcomandante. Trata-se de materiais  supostamente relacionados aos ilícitos praticados pela doleira. As informações são de que a doleira estaria foragida do Brasil A operação na casa do subcomandante do 2º Batalhão nada tem a ver com as atividades oficiais do major Jefson e nem com o comandante da unidade, o tenente-coronel Sebastião Aleixo. No quartel do 2º Batalhão há residências para o Comandante e o Subcomandante.

Escrivão pode estar ligado a quadrilha internacional  de tráfico de drogas

Sem citar nomes, o delegado federal Vitor Moraes Soares, que está à frente da Operação Paralelo, informou que um dos doleiros presos nesta quinta-feira (08/02) – o Blog do Elimar Côrtes já tinha a informação de que se trata do escrivão de Polícia aposentado Jefferson Forattini – está envolvido também com uma quadrilha internacional de drogas que, por meio do Espírito Santo, transportava cocaína para a Europa. A atuação de Jefferson Forattini seria a de financiar a compra e venda d drogas, segundo a PF.

O nome de Jefferson Forattini consta na chama Operação Blockbuster 2, que aconteceu em 25 de setembro de 2017,em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado. Apenas dentro do blocos de mámore, a polícia encontrou 717 tabletes, que seriam enviados para a Europa. Na época, três pessoas da quadrilha que exportava os blocos ‘recheados’ de cocaína foram presas no Espírito Santo, uma no Rio de Janeiro e outras duas no Rio Grande do Sul, incluindo o chefe da quadrilha, que movimentava toda a carga do Espírito Santo.

De acordo com a PF, na maioria dos casos a droga ia para o porto de Santos, em São Paulo, antes de ser transportado para a Europa. Pelo menos 1.096,048kg de droga foram apreendidos na operação.

O nome de Jefferson Forattini apareceu no segundo momento das investigações. A Polícia Federal já havia solicitado a prisão dele pela suspeita de ligação com o financiamento de tráfico. Jefferson, mesmo sendo escrivão de Polícia aposentado, tem o direito de ficar preso na carceragem onde ficam somente policiais civis acusados de crimes, que fica provisoriamente na Delegacia de Novo México, em Vila Velha.

Já o filho de Jefferson,  Thiago Avanza Peixoto de Lima, e o outro acusado, Luís Carlos de Souza e Mello,estão recolhidos no Centro de Detenção Provisória de Viana (CPDV II). Os três  passarão por uma audiência de custódia, na Justiça Federal, na tarde de sexta-feira (09/02), onde o Juízo confirmará ou não a manutenção das prisões.

(Texto atualizado às 17h55 do dia 10/02/2017)

 

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