terça-feira, 20 de março de 2018

PREFEITO LUCIANO REZENDE REPETE FALHAS DA IMPLANTAÇÃO DO INTEGRA VITÓRIA E REVOLTA POPULAÇÃO: Linha Verde, o novo pesadelo dos moradores de Vitória

Em outubro de 2015, sem consultar a população, o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), decidiu “inovar” no sistema de transporte coletivo da capital. Do nada, ele simplesmente extinguiu 16 linhas de ônibus municipais, com a implantação do famigerado “Integra Vitória”.

Moradores de Santo Antônio, por exemplo, tinham que pegar dois ônibus para chegar ao Centro ou ir para s bairros da Zona Norte. Um dos ônibus deixava os passageiros num ponto de ônibus próximo ao Teatro Carmélia – onde funciona a TVE. Dali, os passageiros tinham que ir a pé, percorrendo quase 200 metros – sob chuva ou sol forte –, até o ponto de ônibus ao lado do Centro Esportivo Tancredo de Almeida Neves, conhecido como Tancredão, onde não havia – e ainda não há – abrigos.

Os passageiros tinham até 30 minutos para, no ponto ao lado do Ginásio Tancredão, embarcar em outros ônibus, com o mesmo cartão – uma única passagem – para chegar ao local de seu destino; se perdessem o prazo dos 30 minutos, tinham que pagar outra passagem.

Parecia obra de piada de português. Não deu certo. O prefeito Luciano Rezende e sua equipe ficaram quase um mês batendo boca com a população, afirmando que não recuariam e que o sistema Integra Vitória era exemplo de perfeição. A arrogância do prefeito, no entanto, demorou pouco e Luciano Rezende acabou recuando, voltando tudo como era antes.

Março de 2018. Mais uma inovação do prefeito Luciano Rezende e, de novo, sem consultar a população.  Luciano Rezende age, novamente, como se fosse o “Imperador”. Desta vez, com a implantação da Linha Verde, na avenida Dante Michelini.

Oficialmente, a Linha Verde foi implantada para “auxiliar na fluidez do trânsito e melhorar o tempo dos ônibus que trafegam na avenida Dante Michelini”. Por enquanto, só está trazendo dor de cabeça e mais tempo dentro de um veículo – seja ônibus ou carro de passeio – para moradores da maior parte da Grande Vitória. A Linha Verde tem dado um nó no trânsito.

Uma pessoa que costumava sair do trabalho, no Trevo de Alto Laje, em Cariacica, às 17h20, de segunda a sexta-feira, em 15 minutos já estava no Hortomercado, na Praia do Suá. Esse mesmo morador, agora, leva quase uma hora para fazer o mesmo trajeto. Seu tempo de chegar em casa, após a implantação da Linha Verde – e olha que essa pessoa reside na Ilha do Boi –, aumentou em cerca de uma hora. Que fluidez é essa, prefeito?

A faixa da Linha Verde funciona entre o píer de Iemanjá e o cruzamento da Dante Michelini com a avenida Norte-Sul (sentido Jardim Camburi). A extensão, informa o Portal da Prefeitura, é de 3,8 quilômetros. A faixa exclusiva é a da direita, em função dos pontos de ônibus estarem nesse lado da pista. A fiscalização da Linha Verde será feita por 16 câmeras de monitoramento. Lógico: essa “inovação” não viria sem a multa e sem a necessidade do Poder Público arrecadar dinheiro.

Por conta da Linha Verde, os próprios ônibus, que seriam os maiores beneficiados com a inovação, ficam parados nos congestionamentos, permitindo, assim, que a pista exclusiva fique livre, sem nenhum veículo na pista.

Se os administradores do Município acham desnecessário ouvir a população, por entenderem que a Dante Michelini é uma via de interesse metropolitano, moradores de Jardim Camburi, Bairro República e Mata da Praia decidiram buscar ajuda na Justiça. Entraram com mandado de segurança, em que pleiteiam liminarmente a suspensão da Linha Verde.

Claro que o Município teria outras alternativas para tornar mais humano e com maior fluidez o trânsito da capital capixaba, que, vale lembrar, é uma ilha. Por ser uma ilha, Vitória tem problemas muito maiores em sua mobilidade do que os verificados em outras capitais.

O que a Grande Vitória precisa, urgentemente, é renovar seu efetivo de engenheiros de Trânsito e Civis: Vitória, por exemplo, precisa de passarelas, de viadutos. Algo, pelo que se observa, difícil de ser pensado pelos administradores, que preferem fazer testes, como a implantação da Linha Verde, do que tentar resolver o problema de falta de mobilidade em definitivo. Câmaras de videomonitoramento, que têm deixado milionários determinados seguimentos de profissionais do Espírito Santo, jamais vão acabar com os congestionamentos no trânsito.

As lideranças comunitárias desses bairros enumeram seis motivos para a suspensão da Linha Verde:

Falta de apresentação dos estudos técnicos;

Falta de consulta e diálogo com os moradores dos bairros ao redor;

A Dante Michelini não tem congestionamento, o que torna o sistema desnecessário na via;

Congestionamento causado na Ponte de Camburi e ao longo da Praia do Canto;

Trânsito ainda mais intenso por conta das obras na avenida Leitão da Silva;

Aumento no tempo de viagem até chegar à orla de Camburi, onde o trânsito começa a fluir.

 

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