terça-feira, 24 de abril de 2018

Coronel Nylton, sem farda, rasga a tradição e transmite cargo de Comandante-Geral da PM do Espírito Santo para coronel Ramalho

Pela primeira vez em sua história de 183 anos de existência, a Polícia Militar do Estado do Espírito Santo assistiu a uma passagem de comando sem as tradicionais cerimônias típicas e que tanto honram e emocionam praças, oficiais, seus familiares e, sobretudo, à sociedade.

Ao passar o bastão, na noite de segunda-feira (23/04), para o coronel Alexandre Ofranti Ramalho, o então comandante-geral, coronel Nylton Rodrigues Ribeiro Filho, simplesmente se apresentou sem a farda. A cerimônia  militar ocorreu  no Quartel do Comando Geral da PMES, em Maruípe, Vitória. Logo o coronel Nylton, que sempre pregou, para justificar punição aos militares acusados de fazer “greve”, em fevereiro de 2017, o respeito ao militarismo.

Nylton Rodrigues, que estava de paletó, terno e gravata, deixou o cargo de comandante-geral para assumir o de secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social. Embora tenha abandonado algumas sagradas tradições, o secretário-coronel Nylton fez questão de fazer o discurso que, em tese, seria de despedida do Comando.

Porém, até mesmo no discurso ele quebrou o protocolo e as tradições militares: em vez de fazer uma manifestação de despedida, usou palavras e adjetivos para elogiar o governador Hartung e os secretários de Estado. Reza a tradição que, numa cerimônia de passagem de Comando, o comandante-geral que assume o posto não faz discurso. Pode apenas dar entrevistas à imprensa.

Normalmente, o governador do Estado se posiciona entre os dois comandantes – o que sai e o que assume – na frente do palanque das autoridades. E o comandante que saiu cita a frase “entrego o Comando ao coronel...” e o que assume responde: “Assumo o comando”. Não foi o que ocorreu na segunda-feira.

O que se viu durante a cerimônia foi o comandante do efetivo formado, major Fabiano Ferreira Soares, apresentar-se ao governador Paulo Hartung que, em seguida, cumpriu o ritual, de  realizar a passagem em revista à tropa. Logo depois do ato, os presentes entoaram a Canção do Soldado Capixaba, Hino Oficial da PMES.

Posteriormente, o coronel Ramalho – este, sim, estava devidamente fardado – foi convidado a se posicionar em local de destaque para receber – conforme cita o Portal da Polícia Militar –, “das mãos do secretário de Segurança Pública, a espada do comandante-geral da PMES, símbolo que assinala a posição hierárquica no mais alto nível dentre os oficiais da Instituição”.

Nota-se que, pelo que descreve a Assessoria de Imprensa da Polícia Militar, a espada não foi entregue pelo comandante-geral Nylton Rodrigues, que deixara o cargo, mas sim pelo secretário da Segurança Pública, como se este cargo fosse mais importante do que o de Comandante-Geral da PMES, a mais antiga e mais confiável instituição do Espírito Santo.

“Ao receber o Comando-Geral, o Coronel Ramalho, passou em revista à tropa e fez sua apresentação ao governador como novo comandante da Instituição. Na cerimônia, foi reservado um momento para a inauguração do retrato do comandante-geral substituído. O secretário de Segurança Pública (Nylton Rodrigues)  recebeu ainda uma miniatura da espada do comando-geral da PMES, marcando o período de seu comando”, informa o Portal da PM.

O coronel Nylton Rodrigues é ainda da ativa. Com o seu gesto de ir sem farda para a transmissão de comando do seu sucessor, ele rasgou uma longa tradição e causou um mal estar entre o Alto Comando da Polícia Militar. Logo ele que foi para o cargo de secretário da Segurança Pública, segundo justificou o governador Paulo Hartung, como prova de que o governo sabe valorizar a tropa.

O discurso do secretário-coronel Nylton Rodrigues também fugiu à regra. Ele deu mais um tom político do que técnico. Fez uma verdadeira rasgação de seda ao governador Paulo Hartung e aos demais membros do primeiro escalão do governo. Falou que o governo superou a crise econômica, “promoveu o maior investimento na segurança pública” – o que não é verdade – e driblou diversas dificuldades. O discurso de Nylton não foi de despedida de um comandante, e sim de caráter político e governamental.

Ramalho recebe comando com orgulho e emoção

Se o coronel – Nylton Rodrigues – que deixou o posto de Comandante-Geral de uma das mais importantes instituições  capixabas mostrando um certo desprezo com a Corporação e a seus membros, o que entrou, coronel Ramalho, demonstrou orgulho e se emocionou com a assunção ao cargo. “Com muita honra e orgulho, assumo o Comando-Geral da Polícia Militar do Espírito Santo”, frisou o coronel Ramalho.

Após 29 anos de serviço, tendo comandado o extinto Batalhão de Missões Especiais – extinto, aliás, pelo governador Paulo Hartung e o coronel Nyton Rodrigues –, o 1º Batalhão, o Comando de Polícia Ostensiva Metropolitano, e exercido diversas outras funções, o coronel Alexandre Ofranti Ramalho foi nomeado comandante-geral da PMES pelo governador no dia do aniversário da Instituição, em 6 de abril de 2018.

Sobre o olhar de orgulho do pai, coronel da reserva, Ramalho prometeu dedicar-se à tropa e ao povo capixaba, no trabalho ostensivo, preventivo e repressivo, levando a instituição a passos largos para o futuro.

Na mesma solenidade, o governo fez a entrega simbólica de viaturas, armamentos e equipamentos à PMES e à Polícia Civil. No ato, a Polícia Militar recebeu 129 novas viaturas e 181 fuzis Colt M4 de calibre 5,56. Já a Polícia Civil recebeu 70 fuzis com as mesmas características.

Encerrando a cerimônia, o governador Paulo Hartung parabenizou o ex-comandante-geral, coronel Nylton Rodrigues, por seu desempenho na função. “Travessia, tempo desafiador. Como nos ensinam os filósofos, tempos duros e difíceis também são tempos de transformações, de renovações, de inovações e de mudanças. Isso marca o comando que terminou a poucos dias”, pontuou o governador, que estendeu os parabéns ao Alto Comando, demais oficiais e praças da PMES, pelo trabalho em equipe.

Hartung se dirigiu ao coronel Ramalho, a quem prestou apoio e confiança. “Vim aqui também para dar uma palavra de apoio, de torcida, ao comandante Ramalho que inicia agora uma jornada no ponto mais relevante da vida militar; na trajetória de nossa gloriosa Polícia Militar do Espírito Santo. Conte com nosso governo, integralmente”, salientou.

(Com informações também do Portal da PMES)

 

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