terça-feira, 29 de maio de 2018

Fundo Brasil convoca sociedade a apoiar mulheres que defendem direitos humanos

Lutar pelos próprios direitos. E pelos direitos de seus filhos, irmãos, pais e amigos - nas áreas urbanas e rurais, nos ambientes domésticos e sociais, nos campos profissionais e políticos. Essa é a realidade de milhares de brasileiras que, além das jornadas duplas ou triplas, lideram projetos e movimentos para garantir os direitos humanos.

Para dar mais força às lutas dessas mulheres, o Fundo Brasil de Direitos Humanos acaba de lançar a nova fase da campanha #2018ComTodosOsDireitos. Com o mote “Com você vamos mais longe”, a campanha chama a atenção para uma questão urgente: a importância do apoio de todos para ampliar as vozes das mulheres, seja no combate à violência, à discriminação, ao preconceito, à homofobia ou a tantas outras violações de direitos.

“São mulheres que tiveram seus direitos violados e que, a partir disso, viram a necessidade de assumir a liderança em suas comunidades, desenvolvendo projetos e ações para garantir que nenhuma outra pessoa sofra a mesma violação. São protagonistas de suas histórias, de suas lutas e de suas comunidades. E mais que isso: querem multiplicar esse protagonismo, empoderando outras pessoas e mostrando a elas a importância de combater os retrocessos quando o assunto é a garantia dos direitos humanos”, explica Débora Borges, coordenadora de relacionamento com a sociedade do Fundo Brasil.

Em um país em que ocorre um estupro a cada 11 minutos e uma mulher é assassinada a cada duas horas, as políticas públicas específicas caminham a passos muito lentos: apenas 7,9% dos municípios brasileiros contavam com delegacia especializada no atendimento à mulher em 2014.

No contexto da violência urbana, por exemplo, as mulheres enfrentam o genocídio da juventude negra e as violações cometidas contra defensoras e defensores de direitos humanos. Mais de 23 mil jovens de 15 a 29 anos são assassinados no Brasil por ano, um a cada 23 minutos. E, na maioria dos casos, são as mães, irmãs, companheiras e filhas que vão à luta por Justiça, ajudam outras famílias e organizam atos públicos.

Nos quilombos, territórios indígenas e outras comunidades rurais, as mulheres são as mais ameaçadas, perseguidas, agredidas. Mesmo assim, resistem para defender o direito à terra, aos recursos naturais, ao modo de vida tradicional e à promoção do trabalho digno para elas e suas famílias.

MULHERES EM LUTA

Um desses exemplos é Glisiany Plúvia, líder do Grupo Ousadia Juvenil, de empoderamento de adolescentes e jovens. Nascida e crescida na periferia de Mossoró (RN), Glisiany viu amigos e vizinhos se tornarem vítimas da violência ou da falta de oportunidades. E percebeu que era hora de unir forças, entre os próprios jovens, para buscar outros caminhos.

Outra grande liderança feminina é Marli da Silva, que se tornou mãe solteira aos 30 anos e sofreu com o preconceito e a falta de oportunidades para sustentar o filho. Ela é fundadora da Associação Pernambucana de Mães Solteiras (Apemas), que oferece apoio a essas mulheres e auxilia na busca pelo reconhecimento da paternidade, um direito de toda criança. A Apemas se tornou referência no estado de Pernambuco, e já contabiliza mais de 50 mil paternidades reconhecidas, além de ações sociais e mutirões.

É para apoiar o trabalho de Glisiany, Marli e tantas outras mulheres que o Fundo Brasil convoca as pessoas a apoiar a campanha: “Com a ajuda da sociedade, a partir da doação, poderemos oferecer ainda mais apoio para quem trabalha, todos os dias, para defender e exigir o cumprimento dos direitos humanos no Brasil”, completa Débora.

A campanha também homenageia mulheres protagonistas de diversas lutas relacionadas aos direitos humanos. As pessoas que participarem da mobilização terão acesso a imagens de Dorothy Stang, missionária assassinada em 2005, defensora da proteção da floresta e do modo de vida das trabalhadoras e trabalhadores rurais; Frida Kahlo, artista mexicana que retratou temas como aborto, bissexualidade e maternidade; Nina Simone, pianista, cantora e compositora americana famosa pelo ativismo contra o racismo e a desigualdade social; Pagu, jornalista, escritora e feminista brasileira; e Simone de Beauvoir, escritora, filósofa, teórica e feminista francesa. São imagens que podem ser coloridas e transformadas em quadros - uma forma de eternizar as histórias e os combates dessas lideranças.

Sobre o Fundo Brasil de Direitos Humanos

O Fundo Brasil de Direitos Humanos é uma organização independente, sem fins lucrativos e com a proposta inovadora de criar meios sustentáveis para destinar recursos a organizações sociais que lutam pela defesa dos direitos humanos. A partir do apoio financeiro e técnico oferecido a essas organizações, o Fundo Brasil viabiliza o desenvolvimento de projetos de defesa e promoção de direitos humanos em todas as regiões do país, impactando positivamente no dia a dia de milhares de pessoas. Em atividade desde 2006, o Fundo já apoiou mais de 350 projetos.

Para contribuir com os projetos apoiados pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos, basta preencher o formulário da campanha no site da organização: http://www.fundodireitoshumanos.org.br/2018mulheres-2/

(Fonte: Assessoria de Imprensa do Fundo Brasil de Direitos Humanos)

 

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