terça-feira, 9 de outubro de 2018

36 delegados de Polícia são eleitos para os cargos de deputado federal e estadual em todo o Brasil

Se por um lado a Constituição Federal veda a participação de Membros do Ministério Público e da Magistratura em eleições, por outro a mesma Carta Magna, que completou 30 anos na última sexta-feira (05/10), nada fala da participação dos Delegados de Polícia Judiciária que, em tese, também integram as carreiras jurídicas de Estado. Os delegados de Polícia fazem parte do Sistema de Justiça e são, como costumam se definir, a porta de entrada da Justiça.

Aproveitando o vácuo constitucional, os delegados vão, em todo o Brasil, ocupando seus espaços na Política. E com justiça, pois, afinal, numa democracia, todos deveriam ter direitos iguais, independente da profissão que exercem.

No pleito de domingo (07/10), 36 delegados de Polícia – sendo cinco federais e 31 da Polícia Civil – de todo o País foram eleitos para diferentes cargos do Legislativo. Foram dois senadores – um deles, o capixaba Fabiano Contarato –, nove deputados federais e 25 deputados estaduais – sendo dois deles no Espírito Santo. Leia aqui a lista completa dos delegados eleitos.

Além disso, na esfera da União, cinco policiais federais também saíram vitoriosos. Entre os delegados eleitos no domingo, estão Lorenzo Pazolini e Danilo Bahiense, da Polícia Civil capixaba. O Espírito Santo também reelegeu o investigador de Polícia Civil aposentado Euclério Sampaio, para seu quinto mandato.

A partir de 1988, a Constituição Federal – promulgada em 5 de outubro daquele ano – proíbe que promotores de Justiça, procuradores de Justiça e  procuradores da República da União (Ministério Público Federal e Ministério Público Militar), além de juízes,  desembargadores e ministros de instâncias superiores, disputem cargos eletivos enquanto estiveram na ativa.

Para disputar, o interessado tem de se aposentar ou pedir exoneração do cargo, como fez, em 2017, o então juiz federal Wilson José Witzel , hoje, favorito para vencer as eleições, em segundo turno, para governador do Estado do Rio de Janeiro.

No Congresso Nacional, delegados garantem que vão reforçar combate à corrupção e brigar por interesses classistas 

Para o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ANPF), Edvandir Felix de Paiva, a partir de 2019, “serão cinco delegados federais que vão legislar em favor do País, representar a categoria e fortalecer o combate à corrupção”.

Nestas eleições, os delegados federais Felício Laterça (RJ), Pablo Oliva (AM) e Marcelo Freitas (MG)  foram eleitos a deputados federais; e Toni Cunha (PA)  e Fernando Francischini (PSL-PR), como estaduais.

O presidente da ADPF comemora o resultado e destaca como isso é representativo para a classe.

“Parabenizo todos os colegas que concorreram, por saírem de suas zonas de conforto e aceitarem o desafio de participar da política e modificar de dentro aquilo que não agrada ao povo brasileiro. Aos delegados eleitos,  desejo sucesso e força para fazer prevalecer o correto e coloco a ADPF à disposição para colaborar com os projetos que fortalecem a PF. É muito importante que a Polícia Federal tenha representantes dentro dos parlamentos brasileiros. Precisamos de pessoas comprometidas com a honestidade e com o interesse público”, pontuou Edvandir Felix de Paiva.

Ele afirmou que a associação está contente por ter apoiado os candidatos e ampliado o debate no combate à corrupção. “A ADPF ficou muito satisfeita em ver como as campanhas de todos os delegados que se candidataram foram bem recebidas pela população.”

Na avaliação do presidente, a presença dos delegados no Congresso Nacional pode ajudar na aprovação das pautas da categoria, como a PEC 412, da autonomia da PF.

“Espero que todos os candidatos eleitos, independente de cargo, partido e profissão, estejam compromissados com o bem maior. E nos ajudem a aprovar propostas como a PEC 412 que vão fortalecer o combate a corrupção no nosso País”, reiterou.

O delegado federal Pablo Oliva, eleito como o segundo deputado federal mais votado do Estado do Amazonas, ressaltou como a credibilidade da PF inspira mais esperança no povo brasileiro.

“A minha campanha foi bem pautada nas pessoas do Amazonas. Eu, que sou amazonense, conheço todo o estado e a realidade das pessoas. A credibilidade da Polícia Federal é imensa. Tivemos muitas operações e o nosso posicionamento de que lugar de político corrupto é na cadeia é muito forte, também.”

Tânia Prado defende a bandeira do fortalecimento da Polícia Judiciária

Em São Paulo, foram eleitos os delegados de Polícia Civil Gilberto Nascimento, para deputado federal; Antônio Olim, Bruno Lima e Graciela, para deputados estaduais.

A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo (SINDPF/SP), Tânia Prado,  comemora o processo democrático e a eleição de vários delegados de Polícia em todo o Brasil, em especial os delegados de Polícia Federal Pablo Oliva, Marcelo Freitas, Felício Laterça, Toni Cunha e Fernando Francischini.

“Os delegados vão defender a bandeira do fortalecimento da Polícia Judiciária. Com certeza vão se engajar em aprovar medidas tanto de melhoria da segurança pública como na repressão ao crime organizado e, sobretudo, à corrupção”, disse Tânia Prado.

Frente de Agentes da Polícia Federal conta com campeão nacional de votos: o filho de Jair Bolsonaro

Para o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Antônio Boudens, o 7 de outubro de 2018 foi um dia para ficar na história. O êxito alcançado pelos policiais federais nessas eleições é resultado, segundo ele, de um trabalho intenso junto aos policiais federais e à sociedade. Nas eleições de domingo, pelo menos cinco representantes da carreira foram eleitos e passam a ocupar, a partir de janeiro, cadeiras na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e nas câmaras legislativas. A Fenapef criou a Frente de Agentes da Polícia Federal.

“Em todo o País, os brasileiros disseram não à corrupção e votaram por uma segurança pública mais eficiente. Foram cerca de quatro milhões de votos para candidatos da Frente de Agentes da Polícia Federal”, destacou Luís Antônio Boudens.

Policial Federal de carreira, Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) se tornou o deputado federal mais bem votado da história do Brasil. Filho do presidenciável Jair Bolsonaro, Eduardo recebeu 1,8 milhão de votos e conduzirá seu segundo mandato na Câmara Federal. O agente de Polícia Federal Aluísio Mendes (PODEMOS) também fará seu segundo mandato como deputado federal, segundo a vontade de 106 mil maranhenses.

No Sul, o policial federal Ubiratan Sanderson (PSL) foi eleito para o seu primeiro mandato na Câmara Federal com 89 mil votos. Natural de Erechim, ele tem 44 anos de idade, 22 deles dedicados à Polícia Federal e à valorização da carreira. Nas redes sociais, ele agradeceu o apoio dos colegas e se comprometeu a trabalhar pelo combate à corrupção.

“Essa vitória é resultado do empenho de milhares de pessoas, milhares de gaúchos que se engajaram nessa campanha cívica, honesta e singela. Não tivemos muitos recursos, nem tempo para expor nossas ideias na TV e nas rádios do estado, mas ainda assim tivemos um excelente resultado. Agora, vamos começar o processo de devolver o Brasil para os brasileiros”, escreveu em sua conta no Facebook.

A carreira contará novamente com um representante no Senado. Também da Frente de Agentes da PF, o policial Marinho Cunha foi eleito suplente do senador Zequinha Cunha e vai representar seu estado, Pará, em Brasília (DF) a partir do ano que vem.

Deputados estaduais eleitos

Dois candidatos da Polícia Federal foram eleitos para assembleias legislativas do País. Márcio Pacheco, do PPL, teve 40 mil votos. Ele, que já foi vereador de Cascavel (PR) em 2012, conquistou seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Estado no pleito de 2014. Com o resultado obtido domingo nas urnas, seguirá atuando pela segurança pública, sua principal bandeira, pelo menos até 2022.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, o agente federal Danilo Balas foi eleito deputado estadual. Foram 38 mil votos. “A honestidade venceu”, afirmou em suas redes sociais.

Frente de Agentes da PF

Segundo o presidente da Fenapef, Luís Antônio Boudens, a entidade representativa foi a principal apoiadora da Frente de Agentes da Polícia Federal,  com a promoção de encontros entre policiais federais com intenção de concorrer a cargos eletivos e o apoio na divulgação das campanhas.

“Estamos participando de um pleito histórico, principalmente para o Congresso Nacional. Tivemos pela primeira vez um policial federal oriundo do sindicalismo, justamente do Rio Grande do Sul, que foi o sindicato de policiais pioneiro no Brasil. A eleição do Ubiratan Sanderson tem um significado muito importante, porque ele nasceu desse novo sindicalismo, que busca a modernização da Polícia Federal, da reestruturação do quadro e um combate ferrenho à corrupção no Brasil”, analisa Boudens.

Para o líder sindical, a expectativa é de que a carreira alcance resultados cada vez mais expressivos. “Tivemos um resultado muito superior a qualquer outra eleição. Esse é um cenário que foi construído com muita luta e dedicação, é um projeto que marcou a nossa história. Todos os candidatos, inclusive aqueles que não se elegeram, abriram um caminho para um futuro melhor, especialmente para a segurança pública”.

Desempenho da segurança pública

Operadores de segurança pública apareceram entre os candidatos com maior apoio da população nessas eleições. Além dos agentes de polícia federal, três delegados da PF foram eleitos para o Congresso Nacional. Cerca de 30 servidores de outros órgãos da segurança pública também foram eleitos.

Na opinião do diretor parlamentar da Fenapef, Marcus Firme dos Reis, o desempenho desses candidatos está diretamente ligado à preocupação da população com a violência e a corrupção e sua confiança de que é preciso contar com a expertise desses profissionais na formulação de políticas públicas para a área.

“O voto é a arma que a população tem para fazer o que o governo não faz de forma espontânea, que é trazer os especialistas do setor para um lugar estratégico e de tomada de decisão”, avaliou.

(Com informações também dos Portais da Fenapef, ADPF e SINDPF/SP)

 

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