quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Crea/ES começou a vistoriar terminais do Transcol em 14 de agosto, assinou relatórios um dia após o Natal, mas deixou para divulgar o “caos” somente depois do mandato de Paulo Hartung

Algumas informações a respeito do "Relatório Técnico de Vistoria dos Terminais de Transporte Coletivo da Região Metropolitana", elaborado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), deixaram de ser abordados pela imprensa, desde a divulgação do documento, na última segunda-feira (18/02).

Produzido pelo Grupo de Trabalho (GT) de Infraestrutura e Mobilidade Urbana do Crea-ES, o relatório condena a situação dos 10 terminais do Transcol, administrados pela Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado do Espírito Santo (Ceturb) e foi entregue à Comissão de Infraestrutura (Coinfra) da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales).

Na verdade, se trata de um relatório fotográfico produzido pelos engenheiros do Crea/ES e levados à Ales. Em momento algum houve, de acordo com os documentos produzidos pelo Crea/ES, uma vistoria técnica, com estudo profundo de concreto, ferragem e outros estudos.

De acordo com o Portal do Crea, o documento foi  divulgado na primeira sessão ordinária de 2019 da Coinfra. A presidente do Crea-ES, engenheira civil Lúcia Vilarinho, participou da agenda e destacou que o documento chama atenção para necessidade de manutenção preventiva.

“O Crea-ES trabalha em defesa da sociedade, cerca de 500 mil pessoas utilizam o transporte coletivo diariamente. O relatório reforça a importância da manutenção periódica e preventiva dos terminais”, disse a doutora Lúcia Vilarinho, segundo o Portal do Crea.

Continua o texto oficial. O relatório foi apresentado pelo vice-presidente do Crea-ES, engenheiro civil Ricardo Guariento, bem como pelo primeiro e segundo vice-presidentes da Abenc, respectivamente os engenheiros civis Jaime Oliveira Veiga e Hudson Barcelos Reggiani.

“Como cidadãos e profissionais preocupados com o exercício da engenharia de qualidade e proteção da sociedade, ressaltamos nesse documento a importância da manutenção”, reforçou o engenheiro civil Ricardo Guariento.

“Trata-se de um trabalho de valorização profissional e defesa da sociedade. Nosso intuito é proteger o cidadão que usa os terminais”, afirmou o engenheiro civil Jaime Oliveira, que coordenou o trabalho do relatório que envolveu um total de 15 engenheiros e cinco estudantes de engenharia, de acordo com o Portal do Crea.

“Alertamos para necessidade de um projeto de recuperação dos sistemas construtivos de cada pavimentação. Entendemos ainda que seja necessário estabelecer um plano de manutenção, monitoramento e controle”, corroborou o engenheiro civil Hudson Barcelos Reggiani.

Entenda o caso

Atendendo a uma demanda da Comissão de Infraestrutura, de Desenvolvimento Urbano e Regional, de Mobilidade Urbana e de Logística da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, o Grupo de Trabalho (GT) de Infraestrutura e Mobilidade Urbana do Crea-ES realizou visita técnica aos Terminais de Transporte Coletivo da Grande Vitória, informa o Portal da entidade.

A operação foi feita por meio do Convênio de Cooperação Técnica entre as duas instituições. “Esse convênio traz benefícios para a vida do cidadão, bem como mostra a importância do profissional registrado e qualificado”, disse o presidente da Coinfra, deputado Marcelo Santos.

Alguns detalhes, no entanto, deixaram de ser abordados. A primeira vistoria realizada pelos engenheiros do Crea aconteceu no dia 14 de agosto de 2018, tendo como alvo o Terminal de São Torquato, em Vila Velha, quando o Espírito Santo tinha como governador Paulo Hartung .

O laudo do relatório, porém, somente foi assinado pelos engenheiros em 26 de dezembro de 2018, um dia após o Natal, ainda sob o governo Hartung. E foi entregue à Assembleia Legislativa e repassado à imprensa na última segunda-feira (18/02), com o Estado sob a gestão de Renato Casagrande.

A segunda vistoria foi feira no Terminal do Ibes (Vila Velha), em 16 de agosto de 2018, e seu relatório assinado em 18 de dezembro. Logo depois foi a vez de o Terminal de Vila Velha ser vistoriado, em 29 de agosto, com o relatório sendo assinado em 18 de dezembro.

Ainda em agosto – dias 8 e 31 –, o Crea avaliou o Terminal de Itaparica, que já havia sido interditado desde 21 de julho do mesmo ano. Interdição, portanto, que começou no governo Hartung. O relatório da vistoria no Terminal de Itaparica, que continua interditado, foi assinada pelos engenheiros em 18 de dezembro de 2018.

Em 5 de setembro de 2018, o Crea vistoriou o Terminal de Jacaraípe. No dia 12 do mesmo mês, foi a vez do Terminal de Laranjeiras (Serra) ser submetido à avaliação dos engenheiros, que vistoriaram o Terminal de Carapina em 20 de setembro. Os três terminais rodoviários ficam na Serra e os relatórios de suas avaliações foram assinados pelos engenheiros do Crea em 26 de dezembro de 2018.

Em 4 de outubro de 2018, o Crea vistoriou o Terminal de Itacibá; e, no dia 14 de dezembro, o Terminal de Jardim América –ambos ficam em Cariacica e, de novo, seus relatórios assinados somente um dia após o Natal de 2018, nos últimos dias do governo Paulo Hartung.

Raio-x dos terminais conforme o laudo apresentado

Terminal de Vila Velha – Estrutura metálica em estado de corrosão na entrada de usuários; armadura em estado avançado de corrosão com expansão, com fendas e desplacamento do cobrimento do concreto; plataforma de embarque com ausência de pingadeiras; presença de baratas na caixa d’água potável e que está sem a tampa de acesso, comprometendo a potabilidade;

Terminal de Itaparica – Estrutura metálica em avançado estado de corrosão na nave principal e nos fixadores de aço; caixa d´água sem tampa, comprometendo a potabilidade; inexistência de mangueira de combate a incêndio, além de caixa metálica em avançado estado de corrosão;

Terminal do Ibes – Ausência de pingadeiras no telhado, direcionando águas pluviais para o vigamento de apoio do telhado, que por sua vez direciona para o posicionamento dos usuários no momento do embarque; armadura em estado avançado de corrosão com expansão, perda de seção de aço e desplacamento do cobrimento de concreto;

Terminal de São Torquato – Desgaste e desnivelamento da pista central, afundamento do calçamento; cobertura do terminal com oxidação; infiltração localizada na viga central, denotando falta de estanqueidade do sistema de impermeabilização. E devido a isso já ocorre corrosão da armadura; falta de estanqueidade no sistema de impermeabilização, levando à oxidação da estrutura;

Terminal de Jardim América – Infiltração na junta de dilatação da viga, no concreto e armadura do pilar em estado avançado de corrosão com expansão e início do processo de desplacamento do cobrimento do concreto; oxidação ocorrendo em todas as vigas metálicas na lateral esquerda do terminal; desgaste e desnivelamento da pista central, afundamento do calçamento;

Terminal de Carapina – Tubulação comprometida; desgaste e desnivelamento da pista central, afundamento do calçamento; fendas nas vigas principais; armadura da caixa d´água central em decomposição.

Terminal de Campo Grande – Afundamento e desnivelamento da pista central; estrutura da caixa d´água em decomposição; oxidação no telhado; armadura em estado avançado de corrosão com expansão e início do processo de desplacamento do cobrimento do concreto;

Terminal de Jacaraípe – Sistema de águas pluviais obstruídos; sistema de combate a incêndio inexistente, com risco iminente de curto circuito; parede do castelo d’água com armadura exposta e em avançado estado de corrosão;

Terminal de Laranjeiras – Toda a estrutura metálica comprometida pela corrosão; infiltração grave na viga central; afundamento e desnivelamento da pista central.


 

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