quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

MESMA POLÍCIA CIVIL QUE EXPÔS AMARO NETO E LUIZ DURÃO, AGORA PROTEGE MANATO: Quem é o Carlos, amante da mulher acusada de extorquir ex-deputado federal?

30 de novembro de 2018. Campo Grande, Cariacica. A Polícia Civil monta uma “operação” e prende o  cabo da Polícia Militar Fernando Marcos Ferreira e sua esposa, a pedagoga Keila Bonde Ferreira,  pela acusação de extorquir em R$ 500 mil o apresentador de TV e deputado federal Amaro Neto.


Keila teria traído o marido com Amaro. Ela e Fernando, segundo a Polícia Civil, ameaçavam divulgar vídeos íntimos de Amaro com Keila, em que o casal de amantes mantinha relações sexuais. Minutos depois da prisão, já estouravam nas redes sociais cópias do Boletim Unificado informando sobre o caso. Até supostos vídeos de Amaro em cenas nuas foram enviadas à imprensa.

Amaro Neto não tem boa imagem junto às corporações. Nos dias seguintes, a própria Polícia Civil facilitou, informalmente, a chegada à imprensa das cópias dos depoimentos dos envolvidos, inclusive do deputado Amaro Neto, relatando os detalhes sórdidos do caso dele com a pedagoga infiel.

4 de janeiro de 2019. Portaria do Motel Status, na Serra. Um perito criminal da Polícia Civil, que é de Cachoeiro de Itapemirim e que não estava de serviço, prende o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Linhares Luiz Durão, quando este saía do motel com uma adolescente de 17 anos. Mais um flagrante estranho, forjado por um casal amigo da adolescente – um advogado e sua namorada.

Em vez de acionar o Ciodes, informando que a adolescente “teria ido a força para o motel”, o casal saiu correndo do Shopping Vitória, na Enseada do Suá, e pegou carona com o primeiro carro que parou à sua frente: justamente a viatura da perito criminal de Cachoeiro que passava pela capital capixaba naquele dia, naquele horário. Muita coincidência!!!

A suposta vítima de estupro havia pegado carona com Luiz Durão, em Linhares, e iria para o Shopping Vitória encontrar-se com o casal. No momento em que o perito criminal, de folga, prendeu Luiz Durão, que hoje é  suplente de deputado, uma equipe de TV já estava na porta do motel para “filmar o flagrante”.

No mesmo dia, a Polícia Civil trabalhou com diligência, ouviu os envolvidos e autuou Durão em flagrante por estupro. Nos dias seguintes, a Polícia Civil jamais negou informações à imprensa sobre o caso. Luiz Durão foi solto em 15 de fevereiro de 2019 e responde de processo em liberdade.

22 de fevereiro de 2019. Mais um flagrante é produzido pela Polícia Civil. Desta vez, um investigador da Delegacia Especializada de Defraudações e Falsificações (Defa) prende, dentro do Shopping Praia da Costa, em Vila Velha, Simone Lima Silva.  Levada para a Defa, Simone foi autuada em flagrante pela delegada Rhaiana Bremenkamp. Simone foi solta no dia seguinte, na Audiência de Custódia, para responder em liberdade.

Neste caso, a Polícia Civil fez a imprensa acreditar que o alvo da extorsão da moça era Luiz Dayr Dilon Júnior, que trabalha para o ex-deputado Carlos Manato como motorista. Na verdade, Luiz foi o primeiro a procurar a Polícia Civil. No dia 11 de fevereiro, ele registrou ocorrência na Defa, relatando que um amigo seu, que é empresário (Manato também é empresário, sendo sócio de um hospital particular localizado na Serra), estaria sendo alvo de extorsão por parte de Simone.

No dia 22 de fevereiro, ao ser interrogada pela delegada, Simone, todavia, conta sua versão. Diz que seu alvo era o CARLOS, conforme consta em depoimento. Simone revela, inclusive, que fora amante do CARLOS por um “período”. Simone afirma que sabia que CARLOS era casado, mas ela, na época, era solteira. Depois, decidiu se casar e deixou CARLOS. Simone confessou ter pedido (ou extorquido) dinheiro de CARLOS.

Não se trata aqui de escrever um enredo de traição. O que se quer aqui é uma postura mais clara, transparente e profissional da Polícia Civil. A mesma polícia que expôs Amaro Neto e Luiz Durão, hoje protege o CARLOS.

Qualquer estudante de Direito, que entra na faculdade com intenção de seguir a carreira policial – delegado, principalmente –, sabe que num interrogatório, sobretudo quando se trata de prisão em flagrante, perguntas e questionamentos têm que ser feitos pela Autoridade Policial.

Os envolvidos no enredo do flagrante têm que ser ouvidos, como no caso do deputado Amaro Neto, que saiu altas horas da delegacia após prestar depoimento da extorsão da qual fora vítima.

No caso do motorista de Carlos Manato, que entrou em cena para proteger um amigo empresário, a história é diferente. Não se trata de querer ensinar uma delegada a trabalhar, mas o que se observa no depoimento de Simone Lima Silva, anexado ao Auto de Prisão em Flagrante que já tramita na Justiça, são erros primários.

Um deles é simples. A delegada deixou de fazer a Simone a seguinte pergunta: “Quem é o CARLOS”?

A sociedade, no entanto, pergunta: o CARLOS, a vítima de extorsão da Simone, será qualificado? CARLOS será interrogado também, como vítima?

Não se trata aqui (repita-se) de querer ensinar uma Autoridade Policial a desempenhar sua função institucional e republicana, até porque a delegada Rhaiana Bremenkamp já deu mostras de sua eficiência, competência e profissionalismo à frente das unidades da Polícia Civil por onde passou.

O que a sociedade quer, porém, é o mesmo grau de transparência, eficiência, competência e profissionalismo com que a Polícia Civil tratou casos recentes envolvendo atores políticos, como Amaro Neto e Luiz Durão.

Os políticos são agentes públicos e, por isso, devem satisfação ao público. Fica a impressão, no caso do agora envolvendo supostamente o todo poderoso do governo Bolsonaro no Estado, Carlos Manato, a presença de interferência externa na Polícia Civil, o que seria profundamente lamentável.

Cabe, então, ao diretor-geral da Polícia Civil,  delegado José Darcy Arruda, cobrar de toda sua equipe um procedimento comum para futuros casos envolvendo políticos em supostos escândalos sexuais ou outras atividades.

Afinal, a carne é fraca! E, na visão machista da sociedade, enraizada também na Polícia Civil, a culpa sempre é da mulher. Lamentável!
 

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